segunda-feira, 13 de abril de 2009

23 DIAS



O mais difícil nos últimos dias tem sido atualizar o blog. É que não sobra muito tempo pra escrever entre as mamadas da Vitória.
Some-se a isso o fato de que tive que voltar ao trabalho desde hoje.
E somente estou conseguindo compor algumas linhas, pelo simples fato de que, até agora, a Vitória não teve a cólica noturna costumeira dos últimos dias, sempre por volta das 10 da noite.
E é bem difícil lidar com a cólica, uma vez que o nenê começa a chorar do nada e é um choro doído, sentido, acompanhado de caretas e gritos e cara vermelha.
Várias são as atitudes para serem tomadas no caso de cólica, começando pela bolsa de água quente na barriga, passando por massagem e pelo exercício de “bicicleta” com as perninhas da pequena.
Não é brincadeira, foi só começar a escrever que a Vitória começou a emitir alguns sons lá da sua caminha, preparando um choro que vai interromper esse relato.
Todo o dia vamos aprendendo a lidar com ela, conhecendo as manhas e maneiras de parar o choro ou evitá-lo.
Da mesma forma, a Vitória também aprende como lidar conosco, buscando os limites para ficar no colo, mamar, etc.
E, pior, ela parece usar muito bem o fato de ser pequena...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

17 DIAS


Ontem, a Vitória teve sua primeira consulta com a pediatra, no exato dia em que estava completando 17 dias de vida.
Tudo bem clinicamente com a pequena, em que pese, parece que como a maioria das mulheres, sofra um pouco com a constipação.
A Laura aproveitou a consulta para colocar os brincos na Vitória, brincos de pérola e brilhante, ainda quase maiores que as orelhas da menina.
Só de olhar me deu uma dor... Simplesmente colocam a haste do brinco na parte da frente da abinha da orelha, uma rolha na parte de trás e furam.
Doeu em mim, mas ela não parece ter ligado muito, por mais incrível que possa parecer.
No mais, a Vitória é bastante tranqüila, em que pese seja muito, mas muito braba. Ela quase não chora, mas quando chora... é tanto grito e tão alto que chega a ser engraçado. Nada que uma boa mamada não resolva.
Tem noites que ela chega a dormir 5 horas seguidas, o que, pelos relatos de outros pais, é uma verdadeira benção divina.
Mas o certo é que acabamos nos acostumando com os horários intercalados. Na maior parte do tempo, a Vitória acorda de 3 em 3 horas para mamar.
Nos últimos dias ela tem ficado vários minutos desperta, brincando com as mãos e olhando muito atentamente para tudo e ao mesmo tempo para o nada. Sei lá o que ela enxerga.
A Laura está craque na troca de fraldas e no banho, dificilmente ela deixa-me praticar nessas tarefas, com verdadeiro ciúme da filha.
A minha tarefa nesses casos é auxiliar com água morna, colocar as fraldas no lixo ou preparar a água na banheira para o banho da baixinha.
Agora, estou me especializando na hora do arroto, ainda que não seja o forte da Vitória que detém nítida preferência por outra forma de flatulência. Orgulho do pai!!!
Não posso esconder que quando começa a crise de choro, algumas vezes a gente fica nervoso e da vontade de fugir correndo, como faz o Bartho.
Mas mesmo nessas horas, a Vitória acaba fazendo algum gesto engraçado ou bonito que suplanta a dor nos ouvidos.
O que quero dizer é que não são só flores (nada é), mas é muito bom.
A sensação de botar a Vitória para dormir no meu peito, bem encolhida, bem pertinho, não tem preço. Transmite uma calma, uma tranqüilidade, quase como ir para outro mundo, de pura paz.

segunda-feira, 30 de março de 2009



E lá já se foi a primeira semana, aliás, a Vitória já completou 8 dias de existência. Fora uma cólica que durou alguns dias, no resto tudo vai bem, naquele come e dorme...
Agora, a Vitória é realmente braba e a cada dia ela nos dá mais demonstrações dessa característica de seu caráter.
Os óculos ela já me arrancou da cara 3 vezes em um ataque de fúria quando estava com cólica e acho que uma vez porque estava com fome.
É impressionante a quantidade de vezes por dia que ela tem soluço e praticamente sempre depois que mama ou toma o chazinho de camomila (erva doce ela não gostou muito) a Vivi da 3 espirros. Tudo dentro do normal.
O que mais impressiona são as mudanças que já podemos notar nessa semana que passou. Como as feições vão se modificando e se definindo (espere que continue parecida com a mãe).
Exatamente agora tive que fazer uma pausa por ela estar chorando no carrinho. Olhei para ver se tudo estava bem e ia deixá-la lá, mas a Laura veio e levou a baixinha para trocar a fralda. O Bartho foi atrás!!!
Essa é outra coisa que tem sido bem interessante. O Bartho vem se portando como um filho mais velho, com ciúme e disputando espaço com a Vitória.
Quando ela chora, ele chora junto e quando o choro é mais forte ele corre para a porta pra fugir pra rua.
Muitas vezes ele fica ao lado do carrinho olhando para dentro, curioso com aquela criatura, sem entender muito bem de onde ela saiu e porque ganha tanta atenção, mas tenho certeza que ele vai cuidar muito bem dela.
Tenho tentado dar bastante cuidado para ele. Saímos para passear e jogamos bola por mais de uma hora ontem. Além disso, estou caprichando na ração do Bartho, uma vez que ele emagreceu muito no nosso período hospitalar.
A Laura vem melhorando todo dia, de forma mais lenta do que ela gostaria, mas melhorando sempre.
Estamos de volta a nossa casa, ainda que não esteja tudo completamente pronto. O suficiente para habitar.
A Vitória acabou de espirrar!!!
Eu agora estou de férias, aprendendo e ajudando nesse início, com muita coisa para fazer, anotando aquilo que falta.
Uma das coisas mais incríveis que notei é que quando saio de casa e deixo a Vitória, o rostinho dela permanece nítido na minha visão, como se fosse uma marca d’água. E a saudade é um sentimento dolorido!
Ontem, cantei pra ela um pedacinho de uma música do Cazuza:
“Amor da minha vida, daqui até a eternidade. Nossos destinos foram traçados na maternidade.”
O apetite da Vitória vem aumentando bastante. Ela tem mamado por tempo bem maior daquele recomendado pelo pediatra e temos que deixar, se não é uma choradeira...
Por exemplo, ela acabou de mamar, dormiu uns 15 minutos e já começou a chorar. Está, agora tomando um chá de camomila para enganar o estômago até a próxima mamada lá pelas 10:30 hrs.
De forma bem precoce ela já está nos olhando firmemente, encarando mesmo, e vem passando mais tempo com os olhos, ainda azuis, bem abertos.
E eu cada vez mais babão!!!


quinta-feira, 26 de março de 2009

AGORA É QUE COMEÇA!!!

hurra, hurra, hurra!!!
Estamos em casa! todos nós!!!
A Vitória trabalhou muito bem no dia de ontem, conseguiu manter a taxa de glicose dentro da normalidade e, hoje pela manhã, recebeu alta.
Lá pelas 10 horas ela já estava no quarto, e fizemos a primeira troca de fralda na moça.
Até esse "serviço" a Vi ainda estava "soltando" o mecônio, as primeiras fezes que os recém nascidos fazem, de coloração preta e que é importante que saia logo do organismo dos pequenos para evitar a icterícia.
Como estão vendo, estou quase formado...
Mas hoje a Vitória já começou a normalizar seu intestio. E que normalizada!!!!!!!!!!!!!!
Talvez alguns se lembrem das lutas do Maquila, maior boxeador peso pesado brasileiro de todos os tempos, que, quando ganhava uma luta, ficava praticamente 20 minutos fazendo agradecimentos, desde o fabricante das luvar, até a quinta geração sei lá de quem.
Mas agora entendendo o Maguila. Uma vitória é motivo de muita alegria e as conquistas só são possíveis com a ajuda dos amigos.
E, ainda que de forma genérica, eu preciso agradecer a todos que rezaram, pensaram e/ou torceram por nós.
Um grande beijo no coração de vocês!!!
A Vitória está bastante baldosa hoje. Chorou diversas vezes, querendo mamar de hora em hora. Ou seja, ela mamava, aí qualquer cansadinha já parava e dormia, chorando pra mamar de novo logo em seguida. E a Laura que se vire!!!
Vamos ter que enquadrar essa baixinha, antes que ela esteja mandando em nós!
Mas é certo que precisamos de um tempo, não nascemos sabendo e estamos conhecendo a personalidade de nossa filha.
Afinal, esse é só o começo!!!

terça-feira, 24 de março de 2009

PRIMEIROS DIAS





Agora, as 23:29 vai fazer exatamente 3 dias e 12 horas que a Vitória nasceu. As primeiras 36 horas da vida dela foram passadas ao nosso lado, no quarto do hospital, porém, por volta das 23:30 do dia 22 ela vai para a Unidade Neo Natal fazer soro para tentar regularizar a taxa de glicose que estava baixa.
Eu que a levei. E por alguns infindáveis minutos fiquei aguardando do lado de fora da sala que a equipe de enfermagem fizesse a punção na minha filhinha.
Foram os minutos mais cruéis da minha existência, lá, ouvindo ela chorar e sem poder fazer nada. Minha vontade era pegá-la no colo e sair correndo. Não pude.
Por certo, o procedimento era necessário para a saúde da Vitória, mas não é nada bom ver um bebê com uma agulha no braço, ainda mais quando é o seu filho.
Confesso que não tinha a menor noção do que iria encontrar na Unidade Neo Natal. Lá já estavam outros 4 nenês, todos prematuros como a Vitória, mas menores do que ela; um deles pelo menos já há 2 meses internado.
E é uma rotina para vários pais que por um motivo ou outro não conseguem deixar o hospital com seu filho e acabam retornando todos os dias para vê-los, amamentá-los, amá-los.
E me impressionei com a tranqüilidade e bom astral dos pais que lá encontramos, ultrapassando as dificuldades, com certeza, na força demonstrada pelos pequenos em ultrapassar seus problemas.
E digo isso, pelo simples fato de que nunca senti uma saudade tão grande como aquela da hora de retornar ao quarto vazio, sem a Vitória. Foi um momento...
O quarto ficou muito grande e o silêncio muito alto.
Eu e Laura nos abraçamos e ficamos um bom tempo chorando. Confesso que apesar das tentativas da Laura, fiquei inconsolável até o cansaço vencer.
Mesmo que o problema de glicose baixa seja normal em prematuros e não possa ser considerado grave, a gente não quer nem saber das explicações científicas. Só o que sei é que minha filha, que estava comigo, agora estava lá longe.
Não consegui escrever sobre isso antes, só agora que, ainda que dependa dessa noite, temos ampla possibilidade de sairmos amanhã do hospital, todos juntos!
Não resta dúvida que existem muitas maneiras de se amar. A gente ama os pais, os irmãos, os amigos, a mulher, mas o amor incondicional, que brota não se sabe nem de onde, mas que é mais forte que qualquer coisa, só se conhece nesse momento, só se conhece olhando pro seu filho.
E nada, nada mesmo, no mundo é mais intenso ou mais perfeito do que esse momento!!!
Pai babão? Sou só mais um!!!


domingo, 22 de março de 2009

PRIMEIRO DIA



Amigos, quem disser que não se assustou nesse primeiro dia está mentindo. No mínimo a gente se assusta quando o nenê começa a chorar sem motivo aparente e de uma hora para outra.
Aí você embala, sussurra, fala e nada de parar o choro. Parece que nunca mais vai parar. Daí, assim como começou o choro, volta o silêncio. E você se preocupa também.
Na madrugada, eu dormi da 1 às 2 da manhã. Acordei para render a Laura. A Vitória estava um pouco chorosa, então fiquei com ela no colo até as 3 quando ela dormiu num sono bem profundo. Coloquei-a no carrinho e ela dormiu quase ate às 7 horas.
Nesse meio tempo, recebi o carinho de vários amigos por telefone, torpedos e ao vivo.
Agradeço a todos pela lembrança e por compartilharem esse momento de extrema felicidade para mim e para a Laura. E para a Vitória, claro.
Também não poderíamos deixar de agradecer a Dra. Vera Karam e toda sua equipe que, de forma iluminada, salvaram a Vitória de maior sofrimento.
Agradecimentos também para a equipe do hospital Mãe de Deus que desde o início nos deu tratamento vip, com muito carinho e atenção.
E um agradecimento especial a Dra. Rosana Barim que, por estes caprichos do destino, não pode estar conosco na hora do nascimento, presente que esteve em todo os meses da gestação da Vitória.
Por fim, a Vitória acabou de posar para a foto que vai para o site do HMD.
Antes, ela estava com a taxa de glicose um pouco baixa, nada que uma mamadeira de NAM não pudesse resolver, como de fato o fez.
Mais cedo ainda tomou seu primeiro banho no quarto e passou pelos exames da Dra. Eleonora, a pediatra.
Agora, ela está dormindo, fazendo tempo até a próxima mamada.

sábado, 21 de março de 2009

NEM UM DIA A MAIS


A gente fizemos que fumos, mas nem saímos. Pois é, a Vitória nasceu, às 11 horas e 29 minutos do dia 21 de março de 2009, com 2315g e 45,5cm. Passa muito bem e, exatamente agora, está mamando pela segunda vez.
Estávamos prontos para sair do hospital, com as mochilas arrumadas e tudo. Desci para tirar o carro da garagem, levei uns pacotes e, quando voltei a Laura estava fazendo o MAP, o último exame antes de irmos embora.
Bem na hora que eu entrei no quarto começou uma oscilação nos batimentos cardíacos da Vitória e a Dr. Vera não titubeou em fazer a cesariana.
Isso foi por volta das 10 horas da manhã.
Fomos para o Centro Obstétrico e a Laura foi preparada pelo pessoal da enfermagem.
Acho que nem preciso dizer o quanto nervoso estávamos os dois. Eu tentando aparentar calma pra não deixar a Laura mais nervosa ainda, mas teve um momento que eu pensei que o café ia voltar todo, deu um suador...
Mas me agüentei, afinal, agora tenha uma filha para criar!!!
Bom, alguns minutos depois, com a chegada da equipe da Dra. Vera, a Laura foi levado para a sala de cirurgia e eu pra colocar aquela roupa do hospital e ficar esperando no corredor enquanto tudo estava sendo preparado para a cesariana.
Ali na espera conheci o Bruno, que acabara de nascer, e seu pai. Trocamos umas figurinhas sobre aquele momento. Coisa de pai!
Finalmente me chamaram para a sala de cirurgia. Me sentei atrás do “pano” num banquinho onde fiquei conversando com a Laura.
Aliás, a Laura pediu pra ficar mordendo meu dedo para passar a aflição da sensação de perda das pernas devido à anestesia. Não arrancou pedaço!
Alguns minutos passaram e a Dra. Vera disse que eu poderia me levantar para ver o nascimento.
E aí a grande surpresa: a Vitória estava toda enrolada no cordão umbilical, pescoço e tronco. Tão enrolada que foi preciso primeiro tirar o cordão de volta do pescoço para que ela pudesse sair da barriga.
Finalmente, a cortina foi baixada para que Laura também pudesse ver nossa filhinha.
Imediatamente, fomos para uma sala contígua, a pediatra, uma enfermeira, eu e a Vitória.
Levei um susto. Começaram os procedimentos de limpeza das vias aéreas e que consiste num tubinho colocado na narina para sugar os líquidos que lá ficam após o parto, quando a Vitória apresenta alguma dificuldade de respirar.
A pediatra começou um procedimento de oxigenação com um “balão” que não deu resultado e nem sei bem o que fiz quando ouvi: “Vou entubar!”
Parecia que eu era um personagem do ER, ou Plantão Médico, ou do House. Mas assim como a doutora falou que ia entubar, já entubou mesmo. Foi muito rápido, como rápida foi a resposta da Vitória. Tudo isso durou cerca de 15 segundos.
Passamos até às 4 da tarde eu, a Vitória e a enfermeira. Ficamos contando as respirações da Vitória para saber se ela poderia ir para o quarto ou se teria que ganhar oxigênio extra na unidade neo natal.
Foram 3 horas que a pequena se esforçou, puxou ar, chorou, deu 2 espirros e, finalmente, normalizou a respiração.
Nesse meio tempo, a Vitória tomou seu primeiro banho e eu tirei umas 40 fotos dela dormindo, fazendo careta, chupando o dedo, por que tudo nessa hora é fantástico.
Tudo certo com a Vitória, fomos liberados para ver a Laura que estava na sala de recuperação. Como ela estava sozinha lá, pela primeira vez, podemos ficar os três juntos por mais tempo.
Em seguida fomos para o quarto, onde a família nos esperava. A Vitória já chegou mamando.
E aqui estamos, nós três, como vai ser a partir de agora.
Nunca mais vamos estar sozinhos. Nenhum de nós!!!