quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

SONHO SEM TER SONHOS

Sinto muito mas não sinto nada
cada dia é como uma página virada
com seus momentos passando enfadonhos
sem dormir, eu sonho sem ter sonhos.

Nuvens negras encobrem meu horizonte
sempre me pergunto: deveria estar a onde?
em algum lugar diferente do que estou?
alguém diferente da pessoa que eu sou?

Sem resposta, sigo de encontro a um muro
lágrimas me encobrem a visão
tateando, envolto pelo escuro
das mágoas que afogam meu coração. (26.7.94)**

sábado, 24 de janeiro de 2009

O MELHOR AMIGO 2

No filme, por conselho de um amigo, solteirão de carteirinha, o protagonista John da de presente para sua mulher um cachorro que começava a demonstrar certa vontade de ter um filho.
Eles acabam comprando um filhote que estava em promoção e que mais tarde veio a se chamar Marley e que destruía tudo que via pela frente. O tempo passa e eles acabam tendo 3 filhos e continuam com o Marley até o fim da vida dele.
Ao contrário, eu e a Laura resolvemos adotar o Barthô justamente pelo fato de já estarmos pensando em aumentar a família. Achamos que um cachorro podia ser um bom treino para o rebento. E realmente é.
Ouvindo relatos de amigos com filhos pequenos eu pude perceber que filhote é tudo igual, com a diferença de que as fases no cachorro chegam mais rápido que em uma criança.
Primeiro, o filhote não dorme sozinho. A gente colocou o Barthô na “cama”, que ficava na cozinha, deixou ele dormindo e fomos deitar. Foi só isso pra começar o choro e uivos. Duas noites depois e um ataque que quase o matou (até hoje não sabemos bem o que foi) e ele passou a dormir no nosso quarto e é onde ele dorme até hoje.
O segundo passo foi ensinar a fazer “caca” no jornal. É bem difícil e somente depois de alguns vários dias (e de uma “conversa” séria) é que ele começou a utilizar o jornal. Antes, qualquer lugar era lugar para as necessidades.
Agora que o dia dos nascimento da Vitória está se aproximando, começa a crescer a dúvida de como será criar um filho, se terei competência e sabedoria para tanto.
Cuidando do Barthô uma coisa eu já percebi: não tem fórmula, vai depender das características do outro.
Além disso, vamos estar aprendendo tanto a ser pai quanto a ser filha.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

28 SEMANAS


28ª semana aí gente!!! Que susto!!! Que meda!!!
A Vitória já deve estar com sobrancelhas, cílios e cabelos mais espessos. Os olhos já completaram sua formação e as pálpebras abrem e ela já consegue reconhecer a voz.
Na verdade, vamos poder comprovar tudo isso na 3ª feira quando vamos fazer a ecografia 4D. Dizem que a gente vê tudo que pode, em tempo real, ou seja, vamos conhecer a carinha da Vitória. E mais do que isso, ajuda a ver se tudo está bem.
Deve ajudar também a confirmar se ela está com mais ou menos 35 cm e 1,3kg como seria normal.
Conforme as descrições médicas essa é a fase da mãe sentir cãibras, azia, etc. e a Laura vem passando por isso. Duas ou três noites ela acordou gritando e eu, se não tivesse dormindo, desmaiava de susto. Pensei que tava nascendo, mas era câimbra na panturrilha.
Nada agradável acordar no grito...
A casa continua uma bagunça e agora até mesmo eu e o Barthô já estamos meio cansados da confusão, da poeira. A Laura, então, melhor nem falar...
Pelo menos conseguimos um marceneiro mais perto da realidade, com presos aceitáveis, ainda que não seja barato.
Nosso tempo vai se esgotando e a casa ainda está longe de estar pronta, bem longe.
Reforma é uma coisa cansativa, física, psíquica e monetariamente falando. Acaba com toda a resistência, com o humor e com o bolso.
Só o que nos faz resistir é que achamos que tudo vai ficar muito bom quando ficar pronto.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

LAVE A ROUPA SUJA DE MINHA ALMA

Lave a roupa suja de minha alma
segurando firme em minha mão
meus dias já não são de calma,
minhas noites também não.

Estou atrás da longa fileira
de medos, desencontros e obsessão
estou, pela vida inteira
procurando o antídoto para o veneno em meu coração.

Meu braço estendido
espera por tua mão
clama por um momento de calma.

Encontre meu sonho perdido
leve o antídoto para meu coração
lave a roupa suja de minha alma.(2.11.96/23.11.96)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O MELHOR AMIGO

Já fazia algum tempo que não íamos ao cinema, eu e Laura, principalmente por causa do Bartholomeu, nosso cão.
É que ele já fica a semana toda sozinho no pátio, então, no final de semana, queremos recompensá-lo e acabamos fazendo programas em que ele possa ser levado junto.
Aliás, na próxima quinta feira, dia 22/01, o Barthô vai completar seu primeiro ano de vida.
Faz alguns anos nós tivemos outro cachorro que, inclusive, era tio do Barthô, o Cabral. E o Cabral era um cão sensacional. Ele sorria pra gente e pra todos que duvidavam disso, era só chamá-lo e el já vinha mostrando as gengivas.
Mas naquela época, não tínhamos preparo para cuidar dele e, por isso, o Cabral ficava muito tempo sozinho, o que fez com que ele se machucasse ao ficar se mordendo e coçando com constância acima do devido.
Víamos que ele não estava feliz e não tínhamos como mudar aquela situação, na verdade, não estávamos preparados para criar um cachorro.
Então, lá se foi o Cabral de volta para a fazenda, sua terra natal. E lá ele acabou morrendo alguns meses depois, vitimado pelo estômago, por comer um ovelha que havia morrido envenenada.
Tenho bastante saudade do Cabral, ainda tenho uma foto dele no mural em casa.
Mas mesmo com tudo isso, ano passado resolvemos trazer o Barthô da fazenda para morar conosco. E lá se vão 10 meses de um aprendizado diário.
Posso citar pelo menos duas grandes diferenças da época do Cabral para agora: primeiro, estávamos preparados para o compromisso de cuidar do Barthô; segundo, contratamos o Mauro, adestrador, que fez um excelente trabalho com ele, facilitando muito a convivência.
E é um conselho para toda pessoa que quiser ter um cachorro: treine o bicho, faz uma diferença enorme e a maioria das situações em que você pensa onde estava com a cabeça quando pegou aquele cão não vão acontecer.
Querendo, tem o site http://viralataviratleta.com/ Entrem em contato com o Mauro.
Bom, mas essa história toda na verdade nasceu pelo filme que fomos ver no domingo: Marley e eu.
Mais particularmente de uma frase do filme em que o protagonista diz que para o cachorro não importa se você é bonito ou feio, rico ou pobre, chato, fedorento, enfim, a dedicação, o amor, a lealdade dele é incondicional.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

27 semanas


Estamos entrando no último trimestre da gravidez agora, com o começo da 27ª semana. Corremos contra o tempo, pois a casa está que é pura bagunça. Paredes quebradas, muita poeira, móveis empilhados e lonas pela sala.
Ainda não começamos a fazer os móveis para o quarto da Vitória, se bem que o berço, presente de queridos amigos, e o colchão já estão garantidos.
Já faz mais de uma semana que estamos sem cozinha, lavando a louça na pia do banheiro e a Laura praticamente sitiada no quarto, único lugar mantido intacto e limpo.
Eu e o Bartholomeu ficamos na sala, na “polvadeira” que a gente gosta de bagunça mesmo.
A Vitória tem se movimentado muito, muito mesmo. Uma noite dessas a Laura já estava cansada de tanto que esta menina pulava. E já era mais de meia noite.
Aí eu coloquei a mão na barriga da Laura e comecei a conversar com a Vitória, disse que ela podia se acalmar, que já era tarde e hora de criança estar dormindo.
Sem brincadeira, 2 ou 3 minutos depois ela já estava quietinha, nanando!!!
No começo, os movimentos eram poucos e em um lugar específico, uma batida por vez. Agora, é uma verdadeira bateria. Chutes, tapas, cabeçadas, sei lá! Mas é uma folia...
E tudo ao mesmo tempo.
Não é à toa que o cérebro está em franco desenvolvimento e as ondas cerebrais já são quase aquelas do bebê no nascimento. As pálpebras estão quase abertas e a retina se formando. Os pulmões estão cada vez mais maduros e já começam a poder respirar o ar.
Medidas aproximadas: 32 cm e 1,2 kg.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TEU AMOR

Olhos lânguidos olham longe
na sede santa de saber
ouvem vozes que vem de onde
razão, raiva parece ser

No ponto claro do horizonte
na batida fraca de um coração
esquizóides pensamentos atravessam a ponte
e mais me afastam da tua mão

Chorei sentado no chão frio da solidão
procurei o ombro amigo destas horas
que freqüentemente afasta o dissabor

Mas na tempestade desértica de meu coração
estando, assim, completamente só, agora,
foi que me fez falta o teu amor.(8.6.97)