quarta-feira, 25 de junho de 2008

PENSAMENTOS VARIADOS

SONHO NADA

Pensei em ter calma. Pensei em mais alguma coisa ter. Mas é como estar sozinho. É cada centímetro de separação. Aumentando um pouco, rápido demais.
E já não é bem isso.
Já não é quase nada.
Pensei numa porção de outras coisas. É certo que bem não pensei. Mas pude me ver. E não gostei. Sei que ajo errado.
Não tenho paz. É um turbilhão de idéias e pensamentos. É uma tristeza sem fim. É o meu mais profundo momento de solidão.
É uma vontade danada de que tudo terminasse.
Não tenho nada. Não sonho nada.
E já ninguém pode me alcançar. (3.1.97)


VOLTAR À ESTRADA

Escuta meu grito. Preciso de ajuda. Não há alguém pra me salvar?
Seca meu pranto. Mostra o caminho que há em frente.
É o sol.
Preciso de sol a iluminar o escuro de meus olhos, o resto todo que for breu.
Não largue minha mão que sozinho não sou nada.
Quero voltar a sorrir. Quero voltar à estrada. (3.1.97)


PERDI O DOM

Procuro ainda o conjunto de palavras que expressem o que sinto, o que se passa. Mas já pareço não ter o dom. Deve ser o sorriso, deve ser a idade. Sei lá! O que sei é que me faz bem. Qualquer besteira, mesmo que não diga nada, mesmo que me leve às lágrimas. Foi em algumas folhas as poucas vezes que estive comigo mesmo. (22.01.97)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

EU CONVERSEI COM DEUS

Eu conversei com Deus
mas Ele não me deu todas as respostas
com calma Ele me contou
da dificuldade de se carregar uma cruz nas costas

Eu conversei com Deus
e sentado a meu lado Ele chorou
peguei em Sua mão fria e ensanguentada
e quis fazê-Lo acreditar que tudo já passou

Eu conversei com Deus
e talvez muitos outros conversassem
talvez loucos ou desesperados

E, derepente, Suas lágrimas secaram
pois a cada momento Ele renascia
na esperança dos desengandos.(23/4/92)**

terça-feira, 3 de junho de 2008

PRETO E BRANCO

Jogo no muro as mil cores em que se funde meu pensamento e recolho as sobras do monstro que criei. Escorro numa gota quente de suor e lágrima em tons distantes da escuridão pro alto da construção de minha capacidade emocional. Brinco com o brilho de teus olhos, espalhado nas mil direções de minhas sensações e provo o doce sabor do meu próprio sangue. Retomo meus passos inocentes, seguindo num caminho mundano de riqueza e fé, até voltar ao muro, encontrar o colorido de meu pensamento, apagar a luz e tornar tudo preto e branco.(22.1.93)**

terça-feira, 13 de maio de 2008

Criação

Criei-te de minhas sombras internas para que as iluminasse, a fim de que não pudesse, eu, mais vê-las, ou ver-me.
Montei-te de meus desejos para seres a solução de todas as coisas, a razão para todas as fugas.
Criei-te em minha solidão para, sozinho, nunca estar só. Tenho meu fantasma a meu lado, vejo minha sombra na calçada pisada por mim mesmo e sinto o gosto da lágrima, o ódio da dor.
Consolei-te com minha mão em meu rosto, com minhas desculpas eternas. Os sons da noite absorvem meus pesadelos. Os sons da noite absorvem-me. E sou você.(28.10.90)

Espelho

Saio na noite solitária a fazê-la companhia. Mas meus únicos companheiros são o medo, a dor, o horror.
Sigo passos na escuridão atrás de vingança para saciar minha sede.
Sigo só, duvidando de tudo, de leis e foras-da-lei, da moral e dos imorais.
Gosto de brincar com o teu medo porque não me entendes. Não consegues explicar meu descaso com a morte, pois não chegaste tão fundo na vida como eu.
Te espero dormir. Não tenho sono.
Te espero sorrir. Não acho graça.
Te espero chorar. Não tenho lágrimas.
Te vejo sofrer.
Há muito não olho um espelho.(12.7.90)(BTM)

QUEM SOU EU?

Quem sou eu?
Serei aquele no espelho?
Serei aquele no canto acovardado?
Quem sou eu?
Serei aquele sozinho, serei aquele coitado?
Quem sou eu?
Serei aquele perdido, serei aquele deitado?
Quem sou eu?
Serei aquele sumido, serei aquele cansado?
Quem sou eu?
Serei aquele esquecido, serei aquele humilhado?
Quem sou eu?
Sou aquele que, acima de tudo, se procura por todos os lados e, por mais que caminhe, nunca vou ter me encontrado. (7.5.90)

sábado, 26 de abril de 2008

FRAGMENTOS DE SOLIDÃO

Beijo a boca do silêncio e vozes e mais vozes fazem calar meu pranto.
Já não tenho o calor da paixão, estou novamente só na multidão.
É.
Pode olhar! São lágrimas, sim. Meu desalento, minha desunião.
Pode olhar! Não tenha pena! São meus pedaços, sim. Fragmentos de solidão.
Sou só eu, só demais pra te pedir carinho, cansado demais pra te mostrar como estou.
Beije minha boca em silêncio e aqueça as brasas do meu coração.
Já não há mais tempo. São as dores ininterruptas. Está nas linhas de minhas mãos.(2.1.97)